2020 Visões para o Futuro da Educação


                David D. Thornburg, Ph.D.

Senior Fellow, Congressional Institute for the Future Diretor, Thornburg Center
e-mail: dthornburg@aol.com
http://www.tcpd.org


April 15, 1997


Introdução

 

Como Yogi Berra observou: "É difícil fazer previsões, especialmente sobre o futuro". Apesar disso, existem certas tendências muito claras na sociedade americana de hoje que parecem ter conseqüências mais duradouras. Uma vez que um dos principais papéis da educação é preparar os alunos para a vida no próximo século, é essencial que educadores e outros profissionais responsáveis pela elaboração de planos de ação dentro do contexto educacional tenham plena consciência de tais tendências, se pretendemos que nosso sistema educacional alcance tais objetivos.

Comecemos por examinar a realidade atual:

Vivemos num mundo em que o fosso salarial entre trabalhadores com menor e maior qualificação vem aumentando em nossa sociedade. Dados do Censo Americano e do Departamento do Trabalho Americano mostram que, no período de 1969 a 1989, os rendimentos constantes para trabalhadores do sexo masculino, com baixa qualificação, caíram em 24%, enquanto que os rendimentos daqueles, com melhores níveis, tiveram um aumento de 13%. Não se pode, portanto, considerar que a elevação da maré econômica faça subir todos os barcos. Na verdade, todos os trabalhos que se encontram na parte inferior de uma escada salarial estão desaparecendo numa velocidade prodigiosa, na medida em que são automatizados ou repassados a outros países para serem realizados por trabalhadores com um nível salarial ainda mais baixo.

Na atual era da informação/comunicação é apropriado explorar o acesso que o povo americano tem diante da tecnologia da informação. Embora 45% dos lares americanos tenham um computador (muitos dos quais conectados à Internet), estudos realizados pelo Bureau de Censo mostram que o acesso ao computador está fortemente relacionado com a renda familiar. Como uma regra geral, a atual penetração dos computadores nos lares americanos pode ser estimada considerando a renda salarial em milhares de dólares por ano e expressando este número como a percentagem de casas que possuem computadores. Em outras palavras, 70% dos lares com uma renda familiar anual de US$70.000 ou mais, possuem computadores; 10% das casas cuja renda combinada atinge US$10.000 têm computador, e os números seguem aproximadamente uma progressão linear para os níveis intermediários de rendimento. Além disso, tais resultados podem ser mantidos isoladamente, independente do fato das comunidades serem rurais, urbanas ou suburbanas.

O divisor digital é real e aqueles que financeiramente não atingem um patamar mínimo, também não o fazem no aspecto informacional. Considerando-se a importância das tecnologias da informação no futuro, esta lacuna entre aqueles menos e mais favorecidos pode produzir uma subclasse permanente e promover a expansão do fosso existente entre tais pessoas. Esta razão, por si só, é essencial para justificar que o acesso a tais tecnologias poderosas seja aberto a toda sala de aula, toda biblioteca ou qualquer outro local onde pessoas com qualquer tipo de bagagem educacional ou formação possam reunir-se.

Outro aspecto da realidade atual é a contínua redução de setores e quadros de pessoal por que passam as grandes empresas gerando deste modo, concomitantemente, um crescimento de pequenos negócios. As grandes empresas não estão passando apenas por processos de "enxugamento", elas estão desaparecendo. Desde 1994, 40% das empresas constantes da relação Fortune 500, de 1980, desapareceram seja por venda, concordata ou falência.

Existem, entretanto, aspectos positivos. Estima-se que, para cada emprego perdido na Fortune 500, 2,5 novos empregos são criados pelas pequenas empresas.

As habilidades necessárias para ser bem sucedido nessas dinâmicas pequenas empresas são diferentes daquelas tipicamente associadas às grandes corporações. Uma vez mais espera-se que nossas instituições de ensino preparem os alunos para este novo mundo.


Tendências emergentes

Em contraste com panorama total da realidade atual, distinguem-se fortes tendências. Muitas delas estão interligadas, sua combinação tem produzido um contínuo retorno positivo de enormes proporções. Aqui estão algumas das tendências atuais e suas conseqüências:

Rápido aumento no crescimento da informação

Estima-se que o volume de informação, a nível mundial, vem dobrando a cada dois anos. Para que se possa vislumbrar o impacto deste rápido crescimento, imaginemos que a quantidade total de informação disponível hoje em dia seja representada por uma linha com 1 cm de comprimento. Para uma criança que esteja entrando na escola hoje, que tamanho terá esta linha para representar a quantidade de informação disponível no mundo no momento em que ela estiver terminando o 2o. grau, depois de 11 anos (13 anos, no caso da realidade americana)? 5 cm? 10 cm? Quando esta criança estiver cursando o último ano do 2o. grau, para representar o volume total de informações disponíveis naquele momento, a linha terá 64 cm de comprimento.

Alguém poderá argumentar que grande parte dessas informações, a que se tem acesso hoje em dia, é inútil ou imprecisa. Isto apenas torna o desafio mais difícil. Num mundo onde há um crescente aumento da informação, como distinguir aquelas que realmente precisamos e determinar sua precisão e relevância? Essa é uma competência fundamental que cada membro de nossa sociedade precisa dominar a fundo, e rapidamamente.

Colapso na circulação da informação

Não apenas a informação vem crescendo rapidamente, mas o tempo compreendido entre a descoberta e a aplicação - a circulação da informação - vem diminuindo na mesma proporção. Por exemplo, foram necessários várias centenas de anos para que o motor a vapor deixasse de ser uma curiosidade para tornar-se um produto comercial. Em contraste, descobertas recentes nas áreas de ciências e engenharia transformam-se em produtos praticamente da noite para o dia.

Crescimento do mercado global

A revolução das comunicações permitiu que o mundo passasse a estar contido em nossas estações de trabalho. O acesso internacional a informações, mercados e serviços é, hoje em dia, lugar comum. Isto significa que qualquer empreendimento que esteja presente na World Wide Web é, em princípio, capaz de conduzir, virtualmente, negócios através de todo o mundo. Este mercado global existe tão facilmente para profissionais autônomos como para grandes corporações - desde que o autônomo esteja aberto para aprender uma ou duas línguas estrangeiras.

Embora avanços no que diz respeito à facilidades de tradução ocorram diariamente, o processo de aprendizagem de uma nova língua também expõe o aprendiz à cultura em que ela é usada. Este componente cultural é essencial para que a condução de negócios que buscam atingir uma abrangência mundial.

Os computadores continuam aumentando suas potencialidades enquanto que seus custos são cada vez menores

Em seu discurso durante um jantar em Anchorage, no Alaska, há alguns anos atrás, ouvi Alan Key (então um colega na Apple Computer) contar como era maravilhoso para alunos que estavam trabalhando com ele ter acesso a um supercomputador "Cray". Um professor que se achava sentado próximo a mim disse: "Eu nem ao menos sei porque estou aqui - eu nunca terei este tipo de computador em minha sala de aula". Na ocasião, disse a ele: "Cuidado com palavras como 'nunca'."

Em 1980, o supercomputador Cray era a máquina mais rápida daquele tempo. Seu custo era de 12 milhões de dolares, ele pesava 10.000 libras, consumia 150 kW de eletricidade - e tinha apenas 8 Mb de RAM, operando a uma velocidade de 80 MHz.

É difícil encontrar no mercado atual computadores pessoais tão pobremente equipados. Hoje em dia, um típico computador pessoal tem pelo menos duas vezes mais do que a capacidade básica de um Cray de 12 milhões de dolares, e pode ser comprado por 2.500 dolares ou menos. Esta tendência quando a um aumento dos recursos disponíveis a um preço cada vez mais baixo deverá continuar no próximo século em função dos contínuos avanços na tecnologia relacionada ao chip de silício.

Chips para computadores continuam seguindo a Lei de Moore

Para que se tenha noção do poder de um microprocessador hoje em dia, olhe para a unha de seu polegar. Considerando-se o estado da arte na confecção de um chip de silício do mesmo tamanho que sua unha, ele poderá conter toda a complexidade de um mapa completo de todas as estradas americanas - incluindo aquelas interestaduais, cada rua e ada travessa em todas as cidades, além de ter a capacidade de alterar o sistema de tráfego de uma auto- estrada num trilionésimo de segundo.

Os chips de hoje são muito mais poderosos dos que foram produzidos há poucos meses atrás e aqueles que estarão disponíveis no próximo ano irão tornar a capacidade dos atuais muito restrita. A capacidade básica da tecnologia do silício dobra a cada 18 meses. Esta observação foi primeiramente feita por Gordon Moore, co-fundador da Intel, e que hoje é conhecida como a Lei de Moore. Baseados nesta lei, podemos predizer com segurança que, em 2004, os chips que estarão sendo produzidos conterão, em seu interior, mais de um bilhão de transistores. Com tal capacidade um chip poderá controlar as necessidades de chaveamento para os interruptores de 42 centrais telefônicas!

A largura de faixa está se tornando grátis

Ao mesmo tempo que a tecnologia do silício vem aumentando em força, o mesmo acontece com vários meios de comunicação incluindo a fibra ótica, o fio de cobre e os sistemas de comunicação sem fio. Por exemplo, cientistas da Fujitsu e de outros lugares demonstraram a capacidade de enviar dados através de um simples fio de vidro, do diâmetro de um fio de cabelo, numa velocidade de um trilhão de bits por segundo. Nessa velocidade, cada palavra de cada edição do New York Times, desde sua primeira publicação, poderia ser enviada em menos de um segundo.

Embora os avanços na largura de banda no que se refere aos fios de cobre existentes não tenham sido tão dramáticos, parece-nos que hoje em dia muitos dos cabos que conectam casas, escolas e escritórios podem ser usados para receber informações em velocidades que excedem a 6 milhões de bits por segundo, usando uma tecnologia chamada ADSL (Asynchronous Digital Subscriber Line). Provedores de canais de televisão a cabo estão se preparando para oferecer serviços, como o @home, usando uma faixa que opera a velocidades superiores a 10 milhões de bits por segundo.

Na medida em que a largura de banda aumenta, o custo para o envio de informações diminui. Algumas pessoas têm argumentado que, no futuro, o custo das comunicações será muito barato para ser medido. Já vemos que hoje em dia algumas comunidades têm tomado posições agressivas para garantir sua participação na revolução das comunicações. Moradores de Glasgow, KY, por exemplo, têm acesso a Internet, a uma velocidade de 2 milhões de bits por segundo, a um custo fixo de US$11,45 por mês. Este serviço é prestado pela companhia de eletricidade de Glasgow - uma concessionária municipal, que tem diversificado sua atuação, provendo também TV a cabo e serviços de faixa de comunicação digital. As companhias de força americanas já têm instaladas uma quantidade tão grande de cabos de fibra ótica que, se desejarem, poderão tornar-se o segundo maior provedor de telecomunicações.

O poder das redes continua a obedecer a Lei de Metcalfe

Os avanços na tecnologia dos computadores e na largura de banda têm sido combinados para alimentar a energia num tornado digital de proporções épicas: a Internet. A Internet é uma rede global de comunicações que permite que a informação seja enviada e recebida de qualquer lugar através do uso de pacotes compactados de informação digital que viaja através da infoesfera como fragmentos de um DNA informacional

A Internet é uma rede de redes - um sistema de comunicação dinâmico, construído de baixo para cima. Todos os participantes desta rede concordaram com um conjunto simples de protocolos que definem como os dados devem ser formatados e roteados de um lugar para outro. Como resultado destas regras simples, a Internet é capaz de demonstrar um comportamento incrivelmente complexo, incluindo sua capacidade de crescimento extremamente rápida, sem que haja um colapso de sua estrutura em função desta forte expansão. A Internet vem, atualmente, dobrando de tamanho a cada ano. Casas, escolas, escritórios, bibliotecas e museus estão conectados à Net, e cada nova conecção adiciona um valor ao todo. Este valor adicionado foi primeiramente expressado por Bob Metcalfe, inventor da Ethernet, que observou que o poder da rede aumenta pelo quadrado do número de seus usuários. Essa afirmação é conhecida hoje em dia como a Lei de Metcalfe que, em combinação com a Lei de Moore, formam os alicerces da revolução da comunicação que hoje estamos vivenciando.

Consideremos, por exemplo, a World Wide Web. A Web é uma coleção de "sites" informacionais baseados em multimídia que contêm informações de todos os tipos, todas elas compostas por um formato comum que permite que as mesmas sejam enviadas através da Internet e apresentadas virtualmente em qualquer computador comum usado hoje em dia. Do mesmo modo que instituições educacionais, museus e corporações têm seus sites na Web, alunos e outras pessoas aficcionadas também possuem o mesmo espaço. A Web tornou-se uma nova plataforma para apresentações e comunicação de idéias a nível mundial. É preciso, entretanto, considerar que a Web não seria possível se não houvessem ocorrido os recentes avanços na tecnologia do silício e o desenvolvimento da Internet.

A Web assolou o mundo como uma tempestade. De modo diferente da Internet que vem dobrando de tamanho a cada ano, a Web dobra de tamanho a cada 90 dias e, apesar disso, o seu uso fica empalidecido quando comparado com a utilização do correio eletrônico. Em 1996, o Serviço Postal Americano entregou 185 bilhões de correspondências através do serviço de primeira classe. No mesmo ano a Internet manipulou cerca de 1 trilhão de mensagens eletrônicas. Considerando-se que muito deste tráfico na Internet é originário de casas, escolas e pequenos escritórios que se utilizam de linhas telefônicas normais, imagine o que acontecerá quando os serviços de faixas largas se tornarem um lugar comum.

O impacto da Web na educação deverá ser igualmente profundo. Ela já vem sendo usada de novas formas, permitindo que os estudantes tenham acesso aos últimos acontecimentos nas descobertas científicas algum tempo antes de tais descobertas serem publicadas nos livros didáticos. Além disso, os estudantes podem desenvolver suas próprias pesquisas sobre os mais diversos assuntos e disponibilizar o resultado de seu trabalho na Web para que outros alunos, professores e pesquisadores possam ver e avaliar. A Web tem democratizado a publicação da informação de um modo que não havia sido antecipado até bem pouco tempo. Como disse Reed Hundt, "A era da comunicação está diretamente conectada à maior revolução na história da educação, desde a invenção das máquinas gráficas".

De alguma maneira isto pode ser considerado como uma afirmação incompleta.

Alguns têm sugerido que a revolução industrial aumentou a produtividade em 50 vezes. Nestes 25 anos, desde a invenção do microprocessador, a capacidade dos computadores vem aumentando por um fator de mais de 1.000. Isto é o equivalente a quase uma revolução industrial por ano!

A educação deve enfocar novas competências

Mudanças desta magnitude requerem um completo repensar da educação, tanto em termos de currículo como no desenvolvimento de novas pedagogias que possam assegurar que cada aluno alcance o nível elevado de habilidades necessárias para lidar com um mundo dinâmico no Século XXI.

Além das habilidades básicas no que se refere à língua escrita e falada e aquelas envolvendo o raciocínio matemático, cada estudante deve também dominar os "3 C's": Comunicação, Colaboração e Criatividade na Resolução de Problemas. Além dessas, são igualmente importantes aquelas capazes de saber como usar números e dados em tarefas do mundo real, a habilidade de localizar e processar informações relevantes para o trabalho que se tem em mãos, fluência tecnológica e, acima de tudo, habilidades e atitudes necessárias para que se seja um eterno aprendiz.

A fluência tecnológica é uma habilidade básica

A necessidade da fluência tecnológica é tão grande que ela merece atenção especial. Larry Irving, assistente do Secretário de Comércio, sugeriu que 60% dos empregos disponíveis na virada do século vão requerer habilidades dominadas por apenas 20% da mão de obra atual. Se considerada, isto poderá ser uma afirmação incompleta..

Recentemente realizamos um estudo sobre 54 empregos identificados pelos dados estatíticos do Bureau de Trabalho americano como aqueles que têm uma elevada perspectiva de crescimento entre o ano em curso e o ano de 2005. Desses 54 empregos, pudemos apenas identificar 8 que não necessitam da fluência tecnológica - e nenhum deles paga, atualmente, mais do que o dobro do salário mínimo.

A fluência tecnológica é um passo além da competência tecnológica. Ser fluente no uso da tecnologia significa que podemos sentar diante de um computador e usá-lo com a mesma facilidade com que podemos pegar e ler um livro em nossa língua nativa. Dos desafios que se apresentam à educação hoje em dia, preparar nossos alunos para serem fluentes no uso das tecnologias computacionais e de comunicação, é um dos maiores. Em janeiro de 1997, apenas 14% das salas de aula americanas estavam conectadas à Internet. Se falharmos em nos preocuparmos imediatamente com essas questões, iremos perpetuar o alargamento da diferença existente entre aqueles que têm acesso à informação e os que não têm.

A carência de trabalhadores que tenham uma fluência tecnológica já é um problema nos dias de hoje. Um relatório emitido pela Information Technology Association of America &endash; ITAA - adverte que um em cada 10 trabalhos que requerem habilidades relacionadas à tecnologia da informação não estão sendo preenchidos devido à falta de trabalhadores qualificados. Numa pesquisa realizada em 2000 empresas de grande e médio porte, verificou-se que pelo menos 190.000 empregos deixam de ser preenchidos em função da necessidade de habilidades relacionadas à tecnologia da informação. Se esta tendência continuar, as empresas americanas acabarão optando por enviar mais trabalhos para serem realizados fora do país onde podem ser encontrados candidatos mais bem preparados.

A educação deve preparar os alunos para trabalhos que ainda não foram inventados

Se nossos desafios pudessem estar limitados a preparar pessoas para todos os tipos de trabalhos existentes hoje em dia, ainda teríamos muito que fazer. Infelizmente o desafio é ainda maior. Muitas dos empregos que estarão disponíveis na virada do século, ainda precisam ser inventados.

Se você duvida disso, considere o seguinte: uma das categorias de trabalho em grande demanda hoje em dia, é a de Webmaster - a pessoa que projeta, cria e mantém sites na World Wide Web. Este trabalho não existia há dez anos atrás. De fato, ele não existia há; cinco anos! Isto significa que as pessoas que estão trabalhando neste novo campo adquiriram grande parte de suas habilidades por si próprias.

Para que possamos ter sucesso em acompanhar os rápidos passos de um mundo em constante mudança, as habilidades necessárias para se ter uma aprendizagem efetiva devem ser passadas a todos os nossos alunos.

O colapso na circulação da informação pode ser percebido pelo rápido crescimento de novos negócios baseados nos avanços e descobertas ocorridos no estudo da bioquímica. Empresas como a Affymetrix, por exemplo, criaram tecnologias automatizadas para identificar genes mutantes em poucos minutos. Testes que normalmente levavam várias semanas para serem realizados, hoje podem ser feitos de modo muito barato, num tempo muito curto. Isto dá aos médicos a chance de identificar formas de tratamento de seus pacientes antes mesmo que os sintomas surjam e recomendar um curso de ação prévia. As tecnologias emergentes no campo da biotecnologia vão requerer muitos trabalhadores com um novo conjunto de habilidades.

No campo da biologia marítima, avanços estão acontecendo de modo arriscado. O Instituto de Pesquisa do Aquário de Monterey, por exemplo, tem dois veleiros de pesquisa que usam robos no fundo do mar para procurar pesquisar novas formas de vida. Cientistas desta instituição estão encontrando mais de uma nova espécie de vida a cada semana.

Saindo das profundezas do oceano para a orla de nosso sistema solar, tomamos conhecimento de que pode haver, de alguma forma, vida sob as camadas geladas de Europa, a lua de Júpiter. Se esta premissa for verdadeira, a demanda por exobiólogos - biólogos estudando formas de vida alienígenas - irá explodir de uma hora para outra. Uma vez mais necessitamos criar um sistema educacional que seja capaz de preparar nossos alunos para trabalhar em campos que ainda hoje não existem - isto é uma tremenda tarefa!

Tecnologias compactas e portáteis facilitam em qualquer lugar/a qualquer hora uma aprendizagem duradoura

Para muitos de nós, a aprendizagem começou primariamente na escola. Hoje em dia, a tecnologia compacta e barata permite o acesso a oportunidades de aprendizagem que podem ocorrer em qualquer lugar, a qualquer tempo. Assim como um potente laptop tornou-se uma ferramenta essencial para muitos no mundo dos negócios, as tecnologias compactas terão um tremendo impacto, muito em breve, sobre alunos de todas as idades. Para termos apenas um exemplo, a Sharp japonesa acabou de lançar no mercado um computador, que cabe na palma de nossa mão, com um visor colorido. Conexões feitas a este equipamento permitem que ele se transforme numa câmara digital, num notebook ou até mesmo num browser sem fio para a World Wide Web. Este equipamento está sendo comercializado atualmente no Japão por cerca de US$1.200.

Muitas empresas estão transferindo as atividades de treinamento de seu pessoal para a Web, permitindo que seus funcionários adquiram novas habilidades sempre que eles as necessitem (uma aprendizagem na hora certa). Além disso, estes funcionários podem adquirir tais habilidades no conforto de sua casa ou de seu escritório, sem ter, por exemplo, que voar através de país para participar de workshops em outras cidades. É fácil imaginar que, quando todos os alunos tiverem acesso a poderosas tecnologias em suas próprias casas, aqueles recursos de aprendizagem apropriados para todas as faixas etárias, poderão estar disponíveis para serem acessados de casa, permitindo que a aprendizagem de cada dia seja aumentada além do tempo despendido na escola.

Um dos principais projetos que vem mostrando os tremendos benefícios deste tipo de composição é o Sistema Buddy, desenvolvido em Indiana, no qual alunos de cerca de 80 escolas, através de todo o estado, tem computadores com modem em suas casas. Este projeto existe há mais de nove anos e os pesquisadores que o observam concluíram que o projeto teve o impacto de adicionar cerca de 30 dias de instruções ao ano letivo, sem que as portas da escola tivessem que ser mantidas abertas sequer por uma hora extra. Além disso o custo deste projeto é quase o mesmo que manter as escolas abertas por um dia a mais. Este pagamento de 30:1 é o resultado do entusiasmo dos alunos em aprender, usando ferramentas poderosas em suas próprias casas. O Sistema Buddy encontrou os mesmos resultados tanto em alunos da área urbana como nos da área rural - isto é entre alunos pertencentes a famílias cuja renda tanto é mais elevada como mais baixa.

Uma vez que as tecnologias realmente baratas se tornem comuns entre todos os estudantes, as ferramentas para uma aprendizagem efetiva terão seu lugar. Mais importante, entretanto, é a noção de que uma aprendizagem efetiva é uma habilidade de sobrevivência. Esta é uma das tarefas que devem ser consideradas imediatamente, mesmo que ainda estejamos esperando o surgimento de novas tecnologias.


Conclusões

É inquestionável que estamos vivenciando uma mudança acelerada numa economia que a cada vez mais se globaliza. O desafio para nossas escolas foi colocado de modo bem claro por Jack Welch, CEO da General Eletric, quando ele disse "Se a taxa de mudanças dentro de uma instituição for menor do que a taxa das ocorridas fora da mesma, o fim esta a vista".

Escolas que ignorarem as tendências que delineiam o amanhã, deixarão de ser relevantes na vida de seus alunos e rapidamente irão desaparecer. Devemos transformar todas as instituições formais de aprendizagem, da pré-escola até a universidade, para assegurar que estamos preparando nossos alunos para o seu futuro - não para o nosso passado.